terça-feira, 4 de novembro de 2008

Significado

No poema
e nas nuvens,
cada qual descobre
o que deseja ver.
- Helena Kolody -

"Sem dúvida, acredita Helena Kolody no poder da palavra, e o poeta pode ser considerado o "escolhido" para fazer dela um instrumento de transformação do mundo. A responsabilidade é enorme e alguns artistas da palavra conseguem levá-la a contento e vão gravando pelo tempo suas idéias que geram novas idéias e assim sucessivamente num trabalho longo, árduo e necessário."

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Pensar um pouquinho faz tão bem !!

Li domingo uma entrevista feita com o José Saramago, no O Globo – mais precisamente no caderno prosa e verso, e deparei-me com estas seguintes frases:
“Sou realmente um cético que precisa sempre ver o que se oculta por trás da aparência das coisas. Das coisas, das palavras e de quem as diz”.
“vivemos numa permanente comédia de enganos que é preciso desmontar continuamente”
A primeira passou estranhamente em meus pensamentos. Mais ao me deparar com a sua ‘conclusão’(na segunda) percebi que talvez Saramago esteja mesmo certo. Não devemos acreditar em tudo que ouvimos, mais acho que duvidar demais também não é a solução, pois como dizem: devemos escutar os dois lado. Então o que devemos fazer? Acho que refletir ajuda para a formação da nossa opinião, porque é esta que deve e é montada continuamente.

sábado, 1 de novembro de 2008

Amor é síntese

Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente,
Todo cheio de marcas que a vida deixou.
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr.
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço.
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.
- Mario de Andrade -

Obs: Ao utilizar a palavra “perfeição”, em sua última estrofe, Mario de Andrade me fez pesquisar seu significado. Assim, através do wikipédia, encontrei o seguinte: “do latim perfectione, caracteriza um ser ou objeto ideal que reúne todas as qualidades e não tem nenhum defeito. Designa uma circunstância que não possa ser melhorada ainda mais.”
“O conceito moderno de pefeição se origina do movimento idealista do século XVIII, e está estreitamente ligado à noção de progresso. Em Kant e seus antecessores, Christian Wolff e Alexander Gottlieb Baumgarten, perfeição é uma noção de ontologia: completude como sendo uma reunião de todas as disposições sujeitas a uma unidade harmoniosa, ou ordem. O perfeito é um 'completo', um manancial de ações potenciais.
Por outro lado, a perfeição é uma idéia, uma condição que não é alcançada, mas deve necessariamente ser almejada - esta é a ética do homem.”

Curiosidade: “Síntese” - método de demonstração que parte do símples para o composto, das causas para os efeitos, dos elementos para o todo, do princípio para as consequências; (quím.) operação que consiste em reunir os corpos simples para formar os compostos, ou os compostos para formar o outros de composição ainda mais complexa. (Fonte: Dicionáro Brasileiro Da Língua Portuguesa – O Globo)

sábado, 18 de outubro de 2008

O Menor amor do Mundo

"Muito da nossa surpresa diante do mundo está nas grandes descobertas contidas nas pequenas coisas ou formatos. É o projeto de árvore que está no broto. É o caso particular que traduz a lógica de um mundo inteiro. Ou o inesperado que só não se esperava porque não se olhou com a devida atenção.
É sobre esses átomos amorosos que gostaria de falar aqui, átomos como os poemas curtos e a etimologia.
Falar em poema curto é uma liberalidade. A rigor, não há poemas longos ou curtos. A duração deles obedece a uma dupla característica: ter fruição e economia. Aquilo que Octavio Paz entende por “máxima variedade na unidade”. Cada leitor interpreta o verso à sua maneira, o que um lê, outro não enxerga, pois um poema é um manancial de possibilidades. Ao mesmo tempo, o verso é enxuto, diz o máximo com o mínimo, pois não haveria melhor modo de dizê-lo.
(...)
Tendo, no entanto, a acreditar que a menor poesia brasileira seja exatamente sobre o amor. É aquela que Oswald de Andrade publicou no fim dos anos 20, com o título “Amor” seguido por uma palavra-poema, “Humor”.
Amor
Humor
(...)
Mesmo que não seja o poema mais curto, é de todo modo um achado esse encontro a sós entre amor e humor. Não só porque rimam. Têm muito em comum. Ambos só podem ser feitos acompanhados.
(...)
O amor a dois talvez não esteja num ou noutro campo, não seja alado nem alante, eros ou ptérôs, mas viva na encruzilhada, na intersecção. Luiz Jean Lauand me fez lembrar outro dia do poema curto de Nilson Machado:
Amar, verbo lenitivo
Usa-se na voz ativa
Sujeito passivo
Amar não tem sentido só passivo, muito menos ativo, ocupa o meio-campo, conjuga-se em voz média. Dizer que amo alguém é dizer o quanto me amo também. É como quem diz “eu me confesso”: no momento mesmo em que me revelo, a revelação é feita a mim também. “Não se consuma uma confissão a mim senão pela confissão ao outro”, diz Mário Bruno Sproviero. No momento em que falo a alguém, o que falo me afeta. Sou sujeito da ação e seu alvo. Sou voz média. O mundo dos deuses e dos homens numa só expressão. Amor, humor.
(...)
Talvez por isso todo mundo fale de amor com propriedade, mas ninguém sabe dizer direito o que é. Até que chega uma certa hora, o olho no olho, o peito aberto como ferida, o coração na ponta da língua. É então que 20 séculos de dúvida se dissipam, nenhuma outra palavra se revela mais precisa, mais exata. E a única coisa cristalina e inconfundível é aquilo que você só pode dizer dessa maneira e de nenhuma outra mais, esse verbo intransitivo, que é a única verdade daquele momento, a sua mais sincera verdade: “eu amo”."
- Luiz Costa Pereira Junior -

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Canção de Homens e Mulheres Lamentáveis

Esta noite... esta chuva... estas reticências. Sei lá.

Quem seria capaz de abrir o peito e mostrar a ferida? De dizer o nome? De lembrar, sequer lembrar, o rosto?

Quem seria capaz de contar a história? De chamar o maior amigo, ou melhor, o inimigo, e dizer:

— Estou me sentindo assim, assim, assim...

A humanidade está necessitando, urgentemente, de afeto e milagre. Mas não sabe onde estão as mãos, nem os deuses. E, quando souber, vai achar que as mãos e os deuses são de mentira. Os olhos de todos estarão cheios de medo, os olhos das jovens raparigas, os olhos, os braços, o ventre e as pernas das jovens raparigas, receosos de pagar com os quefazeres do sexo.

Nesta noite, com esta chuva, as jovens raparigas não são importantes. Apenas uma tem importância. Mas quem seria de todo livre e descuidado, a ponto de dizer o seu nome? De pensar o seu nome? Você diria em público o nome da Amada? E suportaria ouvi-lo? Não, não; o nome dela, em sua boca ou na dos outros, é tão proibido como sua nudez (dela). Não há diferença.

E por que você não se transforma no homem banal, que se encharca de álcool, para apregoar a desdita? Seria mais fácil. Talvez alguém lhe chamasse de porco e você revidasse com um soco no rosto, um só rosto, de todo o Gênero Humano. Viria a polícia, que simplifica tudo, generalizando. E tudo se transformaria em notícia: "Preso o alcoólatra, quando injuriava e agredia a Família Brasileira, na pessoa de um sócio do Country".

Há poucos minutos, em meu quarto, na mais completa escuridão, a carência era tanta que tive de escolher entre morrer e escrever estas coisas. Qualquer das escolhas seria desprezível. Preferi esta (escrever), uma opção igualmente piegas, igualmente pífia e sentimental, menos espalhafatosa, porém. A morte, mesmo em combate, é burlesca.

Uma pergunta, que não tem nada a ver com o corpo desta canção. Quem saberia discriminar o ódio do amor? Ninguém. Os psicologistas e analistas têm perdido um tempo enorme.

Ontem à noite, voltando para casa, senti-me espectador de mim mesmo. E confesso que, pela primeira vez, não achei a menor graça. Saíra, pela primeira vez, de óculos e o porteiro do edifício me recebeu com esta agradável pergunta:

— Que é que houve? O senhor está mais velho?

Tirei os óculos e, fitando-o, esperei as desculpas. Mas o homem continuou:

— O que é que houve? De ontem para cá, o senhor envelheceu.

Tinha pensado que, sem os óculos...

Não estou escrevendo para ninguém gostar ou, ao menos, entender. Estou escrevendo, simplesmente, e isto me supre: contrabalança, quando nada. Esta noite, esta chuva — e poderia escrever as coisas mais alegres, esta noite. Neruda, coitado, as mais tristes.

Só há uma vantagem na solidão: poder ir ao banheiro com a porta aberta. Mas isto é muito pouco, para quem não tem sequer a coragem de abrir a camisa e mostrar a ferida.
- Antônio Maria -

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O que eu não quero...

Não quero alguém que morra de amor por mim.
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim.
Nem que eu faça a falta que elas me fazem.
O importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível.
E que esse momento será inesquecível.
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre.
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém.
E poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho.
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe.
Que ele é superior ao ódio e ao rancor,e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar,amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas.
Que a esperança nunca me pareça um "não“ que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como "sim".
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,sem ter de me preocupar com terceiros.
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades , às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim.
E que valeu a pena!!!
- Mário Quintana -

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Precisão

"O que me tranqüiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição."

- Clarice Lispector -